15 de mai de 2014

Dai a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus - Os (des)caminhos da Igreja diante dos Descaminhos da política brasileira



Nestes dias alguém me questionou com relação a postura omissa da liderança da igreja evangélica diante da conjuntura política brasileira atual. O argumento era de que, em meio a tanta lama que envolve a política e os políticos, não se ouve ninguém entre os crentes que denuncie o erro.

Entendo que, de fato, a igreja anda muito calada e creio que este silêncio em parte é dado por conivência. Não dá pra tapar o sol com a peneira; tem muita gente indiferente, vendida ou presa ao sistema que dominou totalmente a nossa nação.

É fato que estamos passando por uma crise sem precedentes na política brasileira, de forma que se vota em “quem rouba, mas faz”, ou no “menos ruim”... Já ouviu frases assim? Por mais boa intenção que tenha o cidadão brasileiro (seja ele de qual credo for), na hora de escolher o nome do seu candidato a desconfiança e as reservas têm falado muito alto.

Isso sem falar no trabalhador que vende o seu voto por uma conta de luz ou um par de sapatos. Ou aquele time de várzea que aceita o assédio imoral em troca de uma bola, de um novo padrão e uma caixa de cerveja. Ou o pastor que troca o voto do seu rebanho pela cerâmica da igreja, e ainda diz que é Deus e ora pelo safado que o comprou, pedindo para que o Pai conceda êxito nas urnas. Será que não é assim que a coisa funciona? Será que eu estou exagerando? O Brasil criou um sistema político equivocado que não deixa possibilidade de mudança, a coisa está totalmente carcomida e podre. Aí, fala-se em “reforma política”... reformar o que? Não sou um cientista político, aliás, entendo muito pouco deste assunto. Mas, como reformar uma casa que foi construída em cima de um pântano?

A base da política numa nação democrática é o povo, a nossa Constituição diz isso: "Todo o poder emana do povo". Partindo deste pressuposto vemos que a casa está em cima da lama, a sociedade, que é a base de tudo, está atolada até o pescoço num  tremedal de lama. É claro que toda regra tem exceção, tem gente boa por aí, ainda tem gente com vergonha na cara. Mas, é inegável que a própria sociedade é quem fomenta os desmandos do Brasil. Veja alguns exemplos:

Quem é que financia o tráfico de drogas e consequentemente as suas ramificações? É a própria sociedade, homens e mulheres de “bem” que sustentam o comércio de drogas.
Quem é que sustenta o comércio de peças de carro roubadas?

Quem sustenta o comércio do sexo e a pornografia?
Quem é que suborna o corrupto?
Quem coloca calhorda no poder?
Quem é que ao invés de protestar faz baderna?
Quem é que fez caixinha para Genuíno?
Quem é que cola nas provas? (desonestidade aqui Brasil começa na escola)

De forma que, falar em reforma política no Brasil tem tom de hipocrisia, cheira mal, fede a podre, pois a sociedade a partir da sua base vive na lama. E gosta disso. Quando li com relação “a postura fria da liderança igreja diante dos descaminhos da política brasileira”, atônito eu me perguntei: “O que um cristão (convertido) deve fazer num momento tão sem perspectiva?”

Na época de Cristo não era diferente, o povo vivia sob a opressão de um governo corrupto (veja na história de Zaqueu, observe as suas declarações, como era que a coisa funcionava) altas taxas de imposto e aplicação inadequada dos recursos. Jesus, no entanto, ao ser questionado sobre tributação, mesmo sabendo da inadequada aplicação dos impostos, não saiu pelos campos, vilas e cidade, gritando “vem pra rua!”. Tão pouco ele baixou a cabeça. Porém, a reação Dele foi noutro sentido, Cristo não perdeu o foco e despachou aqueles que queriam que ele se envolvesse e criasse sedições ou algo parecido. Dispensou quem queria que ele se envolvesse com assuntos daquele reino (Ele era de outro Reino, a sua questão era maior). “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” disparou de forma certeira!

Dito isto, Jesus foi em frente, pois tinha assuntos mais importantes para tratar, não se deixou levar pela politicagem. Ele não aceitou a provocação dos judeus. O que nós vemos estampado nas redes sociais no Brasil, estampa a postura da igreja diante da conjuntura política atual, uma comunidade de “ingênuos” que se deixa seduzir pela politicagem e pelas provocações. Uma infinidade de piadas e achincalhes à Dilma, Lula, Dirceu, Joaquim, Aécio... são mais apregoadas pelos ditos cristãos, do que a Palavra de Deus e ações pertinentes ao seu Reino.

De forma contrária e exemplarmente, Jesus ocupou seu tempo em algo extremamente útil e urgente. “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; por que o Senhor me ungiu para pregar boas novas...” Is 61:1. Ele demonstrou claramente, já no começo do seu ministério, que tinha um alvo infinitamente maior.

Deveríamos imitá-lo, pois se fôssemos suficientemente cristãos nós teríamos mais influência na história contemporânea do Brasil, mas ao invés disso “ficamos” perdendo tempo “criticando a efígie de César” (ou se aliando a ele). Não haveria força do mal que detivesse mais de 40 milhões de brasileiros que se dizem evangélicos se, de fato, estes vivessem o Evangelho.Jesus dividiu as eras a partir do momento em que ele não foi nem contra nem a favor de Cesar. Ele marcou a história se opondo ao PECADO.

Enquanto a igreja se orgulhar dos templos luxuosos que constrói  - recentemente um destes custou, declaradamente, mais de 400 milhões de Reais (lugares onde muitas vezes se escuta de tudo menos o Evangelho) e não se envergonhar da falta de investimento nas vidas que se perdem, vai continuar produzindo muito pouco para mudar o destino do Brasil.Enquanto a igreja viver para sustentar o luxo e o status dos seus líderes, quase “semideuses”- um bando de bezerros de ouro – que são (vergonhosamente) idolatrados, nada poderá fazer para mudar o Brasil.

Assim como os políticos brasileiros, a igreja brasileira se vendeu a mamon e se rendeu a insanidade. Excetuam-se a esta regra os poucos remanescentes, a maioria destes são anônimos, sem vez e nem voto. Aliás, não vai tardar e o Senhor virá buscar estes que relutam em aninhar-se nos covis das raposas, que resistem aos sepulcros caiados e que não caminham com aqueles que se travestem de ovelhas piedosas para venderem ilusões e indulgências, aos milhões e milhões de fies, uma gente que tem coceira em seus ouvidos, que preferem as fábulas e repudiam a simplicidade do Evangelho.

Coincidência ou não, a exemplo dos políticos, a igreja também fala em reforma. Reformar a partir de que base? Disso que nós temos aí? A reforma não pode partir das instituições e suas lideranças, pois elas estão alicerçadas em muita coisa, menos na Rocha. O fundamento (neste sentido sou fundamentalista ao extremo) tem que ser a Palavra de Deus, pois “feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor”.  Não há como um cristão fazer outro tipo de leitura. Esta é a verdade, doa em quem doer, e ela é irretocável.

Um amigo me falou nestes dias que um sábio e velho pastor o confidenciou, que "por todo canto que ele tem andado pelo Brasil, ele tem encontrado com os remanescentes da Igreja do Senhor. Uma gente que insistentemente tem anunciado a Palavra de Deus". Eu também conheço gente assim, aleluia! Através dessa gente (brava gente brasileira, de verdade) a voz do Senhor continua a ecoar nos quatro cantos das terras brasilis. A despeito de tudo, a graça salvadora de Deus continua a ser revelada. O amor do Pai é pregado e vivido por pessoas espalhadas, estrategicamente por Ele, um povo que sabe separar as coisas, que dá a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus, e que agirá assim até que Ele volte. E Ele voltará! Não vai tardar, Ele voltará! (Isso, eu também ouvi de outro amigo nestes dias e concordo plenamente).

Jesus Cristo voltará, o Seu Reino será definitivamente estabelecido. 

"Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios.
Que subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?
Aquele que é limpo de coração, que não entrega a sua alma a vaidade, nem jura enganosamente.
Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da salvação.
Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó.
Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Que é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.
Levantai. ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é o Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória." Salmo 24

Maranata! Maranata!


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