26 de out de 2013

Leprosos Contemporâneos (Lucas 17:11-22)


A lepra é uma doença severa e nos tempos de Cristo, por não ter tratamento, era extremamente limitante, privando os seus portadores de uma vida social normal, de equilíbrio emocional, além de trazer limitações físicas por conta das deformações e atrofias irreversíveis. Para os dez leprosos (Lc. 17:11-21), a doença os limitava a uma vida de isolamento, de desprezo e dor.

Porém, aqueles homens, como tantas outras pessoas da época, sabiam da fama de Jesus, de quantos Ele havia curado e creram que poderiam ser curados também. Com certeza, foi isso que os motivou a irem até Cristo; o convite "vinde a mim todos vós que estás cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei" chegou aos ouvidos deles, assim como as histórias dos milagres, gerando-lhes fé e esperança.

Mas até então parece que eles desconheciam que havia algo ainda mais limitante na vida deles, um outro tipo de lepra ainda mais horripilante  A lepra invisível chamada pecado, que corrói a alma e que conforme cita Isaías, ao invés de isolá-los da sociedade, os isolavam de Deus :"Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vos e o vosso Deus" - Is. 59.2). Isto também moía as suas emoções e fazia claudicar a suas vidas espirituais.


Tantas vezes vivenciamos a mesma sina, quando nos preocupamos apenas com o nosso bem estar físico, com a matéria, com o nosso corpo,  e ignoramos que há algo ainda maior que precisamos cuidar urgentemente. Vamos ao encontro de Cristo como eles foram e nos encontramos com Ele, como eles o encontraram, e recebemos dEle tantas coisas boas, como eles receberam, posto que o Senhor não faz acepção de pessoas (todos somos alvo da sua misericórdia). Nós, assim como os leprosos desta história, temos a oportunidade de experimentar do seu amor e da sua graça, de recebermos coisas ainda mais maravilhosas e boas. Os leprosos desta história acharam a cura da lepra e nós quantas bênçãos temos recebido das mãos do Pai?

Conta as bênçãos... recebidas da divina mão. Uma a uma, dize-as de uma vez e há de ver surpreso quanto Deus já fez


Dos dez leprosos, nove acharam que a cura era tudo que Jesus tinha para eles, e aquilo era suficiente para as suas vidas a partir de então, e seguiram em frente afastando-se de Cristo.

No entanto, um daqueles homens, ao perceber a bênção, dimensionou melhor a graça alcançada e o autor de tamanha bênção. E com o coração cheio de gratidão voltou a presença de Jesus, e pode constatar que Ele é muito mais que um Deus que abençoa nossa vida terrena, Ele é o Deus que nos dá a vida eterna.

Hoje não é diferente, pessoas com toda sorte de lepra tem buscado a bênção de Deus e é bem verdade que dEle têm recebido coisas especiais. Porém, desapercebidos, ou mal informados, não entendem que há um propósito maior do Deus da bênção para nós; que o Deus eterno preocupa-se sobretudo com a eternidade.

Alegres, os leprosos contemporâneos, a exemplo daqueles nove que se encontraram com Cristo no texto lido, ao receberem aquilo que almejam (uma cura, um carro novo, um emprego, uma promoção, a aprovação no vestibular, a restauração do casamento, a libertação de um vício, etc.) dão as costas para Jesus, afastam-se dEle, indo curtir as coisas passageiras, ignorando aquilo que é eterno.

Mas também, como na história dos dez leprosos, em nossos dias, há exceção à regra. Existe aquele que volta a Cristo e que, com gratidão, prostra-se aos seus pés. Entre dez há sempre um que prefere o relacionamento com Jesus, que opta pelo convívio, que quer ficar em Sua presença aprendendo sobre a nova vida. É deste tipo de relacionamento que surge aquilo que é realmente o propósito maior de Deus para toda humanidade, algo que não se compara com nenhuma outra bênção – a salvação.

Como acabou a história dos outros nove que foram curados da lepra e que se contentaram apenas com este fato? A Bíblia não relata. Já com relação aquele que preferiu a presença de Jesus, as Escrituras são muito claras - "a tua fé te salvou", ele recebeu a salvação eterna. E ainda mais, ele foi comissionado - "levanta e vai". O homem que era um estorvo para sociedade ganhou a vida eterna e tornou-se promotor do Reino de Deus, testemunha viva do propósito de Deus, carta viva do Altíssimo.

A cura de uma lepra, parece muito, e de fato é muito. E Deus pode fazer isso por nós, não importa qual a lepra que venhamos padecer. Mas precisamos entender que isso não é tudo que Ele tem para nós. Deus tem mais, infinitamente mais (Ef. 3.20). Ele tem a vida eterna. Então porque contentar-se com o muito que é tão pouco? Nove dos dez leprosos preferiram muito, e receberam, mas apenas um preferiu infinitamente mais. Qual a sua opção?


Que Deus nos abençoe infinitamente mais.


Marcos - Sal da Terra


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