30 de jul de 2013

O Pastor e o Cajado

 

Certa vez, líderes da igreja evangélica brasileira viajavam num voo lotado para Coréia, onde participariam de um grande evento internacional, sobre evangelização. Entre tantos pastores, passageiros naquele avião, iam lado a lado dois pastores, um com seus cinquenta anos de ministério, conhecido pelo equilíbrio, bom testemunho e profundo conhecimento teológico e o outro mais jovem, tinha menos de 10 anos de trabalho pregando o Evangelho e fazendo discípulos.
Em dado momento o pastor mais jovem pergunta ao amigo de cabelos brancos:
 
- Já pensou Pr. “fulano”, se este avião caísse, o que seria da igreja no Brasil?
- Talvez a solução, talvez a solução!
 
Respondeu o pastor mais experiente, em tom paternal, dosado com ironia e bom humor, mas com a segurança de quem sabia o que estava falando.

Pastores e outros líderes cristãos têm em suas mãos o cajado, com este instrumento eles conduzem o rebanho do Senhor, indicando os pontos de parada, a velocidade e a direção que as ovelhas devem seguir. O cajado é também instrumento de disciplina e correção para aquelas ovelhas que, eventualmente, se afastem do grupo e da direção certa, tornando-se suscetíveis ao ataque de lobos, ou de se perderem no caminho, ou quem sabe caírem em abismos. É ainda, também, um instrumento utilizado para afastar predadores do rebanho.
Um pastor (líder cristão) não deve se abster em utilizar o cajado e, não obstante, as ovelhas esperam dos seus pastores, que as referências (direção profética e disciplina) que lhes apontem o cajado sejam adequadas em sua jornada. A expectativa e de que sejam conduzidas a pastos de qualidade, por caminhos seguros e protegidas dos lobos.
Porém, não pode haver dicotomia entre o caminho apontado pelo cajado e o caminho pelo qual anda o pastor. É como a história do Papa Francisco (pastor supremo do catolicismo romano) que visitou ao Brasil, que a poucos dias tinha saído as ruas por conta de um aumento de R$ 0,20 de aumento nas passagens de ônibus, mas se dá ao luxo de trazer da Itália, de avião, dois “papamóveis”. Ou ainda, que prega sobre paz guardado por 10 mil seguranças...

O cajado aponta numa direção e o pastor anda em outro sentido.
 
- Aponta para os valores familiares, mas se sucedem entre numerosos líderes cristãos adultérios, divórcios e até quem defenda a união de pessoas do mesmo sexo.
 
- Indica o socorro ao necessitado, mas não lhes estende a mão, pelo contrário, o “evangelho” que incita o acúmulo de bens, totalmente arraigado a cultura capitalista é o que mais se vive.
 
- Mostra a cura, mas não trata a ferida do doente.
 
- Aponta o perdão, o caminho da comunhão, mas se divide em nossas denominações, ignorando que um reino dividido não subsiste.
 
- Indica o amor ao próximo, enquanto o guarda roupa está abarrotado de roupa que vestiria o nu, enquanto na dispensa, tantas vezes, alimentos perdem o prazo de validade.

O que a gente espera das ovelhas de Jesus no Brasil? Muitas delas (eu diria milhões) têm sido aquelas as quais apertam o coração de Jesus, ovelhas sem pastor. São ovelhas que até têm um bom professor, quem sabe um grande teólogo, ou um bom administrador, ou um excelente palestrante sobre auto ajuda... Mas, um pastor que caminha na frente do rebanho, conduzindo-o a pastos verdejantes e as águas tranquilas, este parece que de fato anda se escasseando.
 
Ovelhas precisam de pastores que sejam capazes de dar a vida pelo rebanho de Cristo, que amem ovelhas e não a lã ou a gordura delas.
 
Ovelhas precisam de pastores de verdade, capazes de dormir ao relento para não lhes deixar desemparadas, ou de caminhar no frio ou no calor para lhes dar segurança e alimento; que lhes ponha no colo quando cansadas, feridas ou amedrontadas; que lhes chame pelo nome ao invés de checar seus nomes na lista de dizimista (aliás esta lista é utilizada com “fidelidômetro” – medidor de fidelidade – em muitas comunidades).
 
Ovelhas precisam de pastores que tenham em suas mãos um cajado de verdade (símbolo de autoridade) que lhes chamem atenção ante o abismo ou a presença de lobos e não um cassetete para lhes impor castigo ou medo.
 
Precisam de pastores que, sobretudo, amem a Jesus e por isso sejam apascentadas por eles e para Ele.
 
Talvez eu esteja enganado em todas estas minhas colocações (quem dera estivesse!) Talvez, o velho pastor tenha sido apenas autor de uma piada de mal gosto ao refletir sobre as consequências da queda daquele avião lotado de pastores e líderes. (antes fosse!) 

Que o Bom Pastor tenha misericórdia da igreja brasileira em seus caminhos.

 
Um abraço,
 
Marcos – sal da terra


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