22 de jun de 2013

Texto do Pr. Reginaldo Silva



"Recife, 20 de junho de 2013. Às 15h, desço na estação de Joana Bezerra. Encontro uma multidão que se dirigia à manifestação marcada para este dia. Eu e a multidão tentamos pegar um ônibus para irmos até o Derby, local da concentração inicial. Mas, não havia mais ônibus. Os motoristas já haviam iniciado a paralisação. Imediatamente, alguém grita: “Vamos caminhando!” Seguimos. 
 
Vi-me em meio a muitos desconhecidos, mas me senti em casa. Parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Fechamos a Agamenon Magalhães, começamos a cantar juntos. No caminho, recebemos apoio dos trabalhadores de um prédio em construção e do hospital Português. Carros e motos, que tiveram que parar para nos dar passagem, buzinaram em sinal de apoio.

Chegamos ao Derby e nos juntamos a uma multidão maior ainda. Começou a passeata. Vi adolescentes, jovens, adultos, idosos empunhando bandeiras e cartazes diversos. Eram muitas reivindicações. Mas, no final, todos queriam uma coisa só: um Brasil mais justo. Em nome disso, entoamos várias vezes o Hino Nacional e o Hino de Pernambuco. Em nome disso, caminhamos juntos, transformando a Av. Conde da Boa Vista num tapete humano.

Muitos especialistas estão dizendo que o movimento, por estar difuso e sem uma organização central, está fadado a se enfraquecer e morrer. Há também o medo que ele seja cooptado por forças conservadoras. Pode ser. Mas, pode ser também que seja o prenúncio de algo novo. Pode ser que, muito mais do que os cartazes e gritos de protesto, os sorrisos que vi estampados nos rostos estejam desafiando o poder de quem quer manter o povo escravo.

Ninguém tem condições de prever exatamente onde esse movimento vai dar. Não importa. No dia 20 de junho de 2013, aconteceu algo lindo em Recife. E eu estava lá."

 
Pr. Reginaldo Silva
 
 
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