14 de jun de 2013

Meu País (Orlando Tejo / Gilvan Chaves / Livardo Alves)


Um país que crianças elimina 
Que não ouve o clamor dos esquecidos 
Onde nunca os humildes são ouvidos 
E uma elite sem Deus é quem domina 
Que permite um estupro em cada esquina 
E a certeza da dúvida infeliz 
Onde quem tem razão baixa serviz 
E massacram-se o negro e a mulher 
Pode ser o país de quem quiser 
Mas não é com certeza o meu país 


Um país onde as leis são descartáveis 
Por ausência de códigos corretos 
Com quarenta milhões de analfabetos 
E maior multidão de miseráveis 
Um país onde os homens confiáveis 
Não têm voz, não têm lei nem diretriz 
Mas corruptos têm voz e vez e biz 
E o respaldo de estímulo em comum 
Pode ser o país de qualquer um 
Mas não é com certeza o meu país 


Um país que perdeu a identidade 
Sepultou o idioma português 
Aprendeu a falar pornofonês 
Aderindo a global vulgaridade 
Um país que não tem capacidade 
De saber o que pensa e o que diz 
E não pode esconder a cicatriz 
De um povo de bem, que vive mal 
Pode ser o país do carnaval 
Mas não é com certeza o meu país 


Um país que seus índios discrimina 
E a ciência e as artes não respeita 
Um país que ainda morre de maleita 
Por atraso geral da medicina 
O país onde a escola não ensina 
E hospital não dispõe de Raio-X 
Onde a gente dos morros é feliz 
Se tem água de chuva e luz do Sol 
Pode ser o país do futebol 
Mas não é com certeza o meu país 


Um país que é doente e não se cura, 
quer ficar sempre no terceiro mundo 
Que do poço fatal chegou ao fundo, 
sem saber emergir da noite escura. 
Um país que engoliu a compostura, 
atendendo a políticos sutis, 
que dividem o Brasil em mil "Brasis", 
pra melhor assaltar de ponta-a-ponta, 
pode ser um país do faz-de-conta, 
mas não é, com certeza, o Meu País. 




Em Cristo, 

Marcos Sal da Terra


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