26 de jul de 2011

Sertão Nordestino - Uma Grande Região, Dois Grandes Desafios

A globalização chegou ao sertão nordestino mudando costumes, padrões éticos, morais e religiosos. Com relação a pregação do evangelho, este fenômeno trouxe um aparente benefício quando quebrou paradigmas que impunham barreiras religiosas entre católicos e protestantes. A massificação no meio rural da mídia televisiva carreou à milhões de lares sertanejos programas "evangélicos" que aproximaram católicos dos protestantes; mas estes programas vêm, na sua imensa maioria, desfigurados daquilo que foi vivido e ensinado por Jesus. Portanto, o "evangelho" que quebrou barreiras, que desmistificou "a cara-de-mau" dos protestantes, apontou para outro extremo: para o sucesso imediato, para a "mágica", para a ausência de dor, para a festa, para um mundo "cristão" alienado e colorido. O show da fé, o festival de bençãos mascarou a realidade da renúncia, da santidade, do trabalho, do esforço, da soberania de Deus, Senhor e Pai.

De forma que, se até pouco tempo a grande necessidade era apenas a evangelização dos sertanejos, agora também urge a correção do caminho (ou descaminhos) que tomou boa parte da igreja evangélica fincada nesta região, onde sua eclésia tem perdido ou, em alguns casos, nunca teve referências sólidas da fé cristã alicerçada no arrependimento, no novo nascimento, no discipulado, na comunhão, na obra missionária, na expectativa na volta de Cristo e na redenção eterna.

A mesma igreja que existe nos grandes centros urbanos, alienada à realidade bíblica, alicerçada no prazer, na abastança, na insensibilidade à dor do próximo, na indiferença ao pecado e ao pecador, esta mesma igreja tem alcançado pequenas localidades do sertão nordestino, trazendo resultados desastrosos à comunidade, implicando não só na superficialidade da vida cristã dos seus membros, mas, sobretudo, na eternidade de muitos daqueles que delas se aproximam. O "jesus" ensinado não é o Cristo Filho de Deus que ensina ao perdido o caminho, ao pecador o arrependimento e a Sua Igreja diz: "Negue-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (Mt. 16.24).

Portanto, aumentou o desafio no sertão. Se antes tínhamos a evangelização do seu povo como alvo, agora temos, também, o realinhamento daqueles que se dizem cristãos, mas que tem praticado doutrinas alheias à Palavra de Deus.

À evangelização temos visto esforços acontecendo, entre os quais alguns exitosos e com resultados que assemelham-se à vontade de Deus. Já com relação aos descaminhos de parte da igreja sertaneja, quase não se vê nenhum esforço, nenhuma palavra profética, ninguém que acenda o sinal vermelho, que denuncie o erro, que aponte para cruz de Jesus, que ensine que Ele é a verdade e a vida.

O que fazer, como fazer e por onde começar? Eis ai algumas questões a serem analisadas com critério e que necessitam de respostas e propostas de sorte que se não for assim, correremos o risco de ter no sertão, a exemplo do que tem ocorrido nos grandes centros urbanos, o nascimento de uma igreja desvirtuada da essência do Evangelho.

Porém, discordar de métodos e práticas inadequadas é pouco, precisamos de ações planejadas, precisamos de mobilização suficiente que faça brilhar a luz, a verdade. Precisamos de uma teologia saudável que extrapole os gabinetes, os blogs, os congressos, às conferências, e chegue aqueles que são alvos do amor de Deus, mas que tem sido alcançados pelo engano, pela ganância, pelos lobos midiáticos. Precisamos de denominações que se preocupem com o seu maior patrimônio, seus membros.

Mais do que aumentar o número de "evangélicos" o sertão precisa de discípulos de Cristo. Para tanto a orientação não mudou: "Ide por todo mundo, pregai evangelho e fazei discípulos" (Mt. 28.18-20. Fazer discípulos de Cristo é o elo que sucede à evangelização. Eis a proposta, eis o desafio. Mãos à obra!!!
 
Em Cristo, 
 
Marcos Sal da Terra
 
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