21 de set de 2009

No Mesmo Cenário




Numa das nossas caminhadas pelo sertão, encontramos com dois antropólogos e uma assistente social, funcionários do governo que, por coincidência, marcaram uma visita no mesmo dia e lugar em que nós estávamos fazendo um PES (Programa de Evangelização do Sertão). A impressão que tivemos é que eles não se sentiram muito confortáveis com a nossa presença, talvez porque, para alguns destes profissionais, os"crentes" atrapalham a sua tarefa de cuidar e de preservar as raízes culturais de um povo.

E nós estávamos ali onde, presumidamente, se tratava de uma gente remanescente quilombola, pregando o Evangelho de Jesus que, de fato, muda a história das pessoas. Cachaceiro deixa a cachaça, "cabra brabo" fica manso, família desintegrada se recompõe, e por aí vai...

Aqueles doutores que estavam ali, entrevistavam os nativos do lugar, enquanto que nós, no mesmo cenário nos movíamos para lá e para cá cuidando das nossas atividades de cunho evangelístico.

Uma das nossas voluntárias, talvez por curiosidade, se aproximou do local da entrevista e ouviu o antropólogo "repórter" perguntar a uma nativa a quem entrevistava:

- Você não acha que estas pessoas estão vindo ao sertão ensinar coisas que podem afastar vocês das suas tradições?

- Se muda eu não sei - argumentou a entrevistada - Eu só sei lhe dizer é que muita gente já passou por aqui prometendo coisas e nunca fez nada, já os "crentes", nunca prometeram nada e estão fazendo alguma coisa por nós.

O entrevistador perdeu o argumento e mudou de assunto. Eu fiquei satisfeito com este fato, pois ele testificou que, pelo menos naquele dia, estávamos agindo de maneira coerente ao Santo Evangelho. Levando amor ao invés de falácia; ajudando ao invés de implicar; cuidando ao invés de jogar conversa fora; promovendo (pela pregação da Palavra) mudança, ao invés de agir na turma do "deixa como está"; dando ao invés de esperar receber; agindo por aqueles aos quais a sociedade dar as costas, cria obstáculos, exclui; Sendo o que Deus espera de nós, mesmo que para isso tenhamos que contrariar alguns.


Marcos Sal da Terra




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3 comentários:

  1. Que o Senhor continue abençoando este Ministério, Pessoas precisam de Jesus e o Evangelho é o ponto de transformação. Enquanto antropologos e cientistas ficam discutindo o que é o bom para uma cultura, Jesus mostra o que é o melhor!!!
    Abraço em Marcos e toda a aquipe.
    Pr. Rogério. IPB Serra Talhada

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  2. Pr. Rogério, obrigado,pelas considerações. A gente se vê pelo sertão.
    Marcos Sal da Terra

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  3. Um fato interessante é que algumas escolas de missiologia ensinam a materia 'Antropologia Social' antes de ensinar a materia 'Desenvolvimento Comunitário'.

    Antes de tentar alçancar uma comunidade precisamos buscar um entendimento do comportamento social das pessoas na comunidade.

    Alison "participante curioso' (Rede Mãos Dadas)

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