20 de nov de 2008

Com a Ajuda de Carolina


Há quase que unanimidade em torno do nome de Luiz Gonzaga, "O Rei do Baião", como o mais legítimo representante da riquíssima cultura nordestina. Ninguém conseguiu se comunicar com a massa nordestina com tanta amplitude quanto o Velho Lua. Ninguém cantou este povo e esta terra com tanta propriedade quanto Gonzagão.

Ainda criança, tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Sua personalidade marcante e seu carisma me contagiaram. Era quase uma regra, quem o conhecia, mesmo que só através das suas apresentações ou até mesmo dos discos, se impressionava. Ele era simples, falava de coisas tão comuns ao nosso cotidiano; sua roupas, seu linguajar, tudo que ele fazia era, extremamente, familiar e usual.

O que ele tinha de tão especial? O que fez dele uma grande referência no contexto cultural e histórico do nordeste? Por que influenciou e ainda influencia muitos dos grandes nomes da MPB? Porque artistas consagrados e uma legião de fãs, ainda hoje, reverenciam a sua obra? Seria interessante para a igreja ter a mesma facilidade e eficiência em comunicação para anunciar o evangelho ao sertão?

Luiz era o nordestino que falava como nordestino aos nordestinos. Era contextual e, talvez, esta foi a principal estratégia que ele utilizou para conquistar tamanha projeção e cativar tanta gente com sua mensagem. Sua "nordestinidade", aliada ao seu carisma ímpar, cooperava para que ele se comunicasse com facilidade com o doutor e com o agricultor porque sua imagem refletia o seu discurso.

Vejo, porém, que quando se trata de pregar o evangelho, nós teimamos em tomar um caminho oposto ao de Luiz Gonzaga. Inexplicavelmente, nos apegarmos a um padrão estereotipado de comunicação – o evangeliquês. Como dizem alguns, um jeito gospel de ser.
 
Chegamos até a fazer uma certa impostação na voz quando estamos falando das coisas de Deus. Uma coisa cheia de pose, de caras-e-bocas, trejeitos e peculiaridades que artificializa o nosso discurso. E para muitos, viver algo fora disso é pecado! Por exemplo, em alguns lugares é uma verdadeira afronta à Deus subir a um púlpito sem um paletó. É o sexto Sola: Sola Gravatas. Onde tem isso na Bíblia? Particularmente, eu considero o cabra usar paletó, no sertão uma baita judiaria!

Por que abdicar de nosso discurso calcado em tradições européias ou americanizadas é algo extremamente temerário para nós? Por que adequar a nossa conduta cristã ao nosso jeito nordestino de viver dá até calafrios? A verdade é que enquanto nos apegamos ao que não é nosso, milhares e milhares de pessoas seguem, a passos firmes, rumo ao inferno. Elas não gostam do evangeliquês como nós gostamos. Infelizmente, a turma do outro lado entende isso. E sabe usar, direitinho, a ferramenta que nós desprezamos.

Mas alguém pode até perguntar: E Deus precisa destas estratégias? O Espírito Santo precisa de contextualização? Eu diria que, certamente, não, pois Deus é soberano. Mas que facilita, facilita! Já pensou Beethowen interpretando Asa Branca, o quanto seria enfadonho para a vaqueirama?

Seu Luiz acertou em cheio na sua maneira de cantar e contar suas histórias. Ele conseguiu comunicar-se com o nordeste como ninguém e levou sua mensagem com eficiência. Quanto a nós, missionários sertanejos, de que forma queremos levar a inigualável história de Jesus?

 
Quem é o culpado?


"Eu perguntei a Deus do céu:
Porque tamanha judiação?..."


Tal qual "seu Luiz" tu ficas preocupado
sem saber a causa de tanta judiação
Será quem será me diga: quem é o culpado
Pela seca e fome que assola esta nação?

Será o doutor, o prefeito ou o deputado?
Terá Deus pai esquecido este povão?
Será quem será me diga: quem é o culpado
Pela seca e fome que assola esta nação?

Na cozinha o fogão de lenha sempre apagado,
com fome chora o menino querendo pão.
Será quem será me diga: quem é o culpado
Pela seca e fome que assola esta nação?

O barreiro tão seco tem o seu chão rachado.
é couro e osso o gado nesta estação.
Será quem será me diga: quem é o culpado
Pela seca e fome que assola esta nação?

O ônibus sai pra São Paulo sempre lotado
de sonhos que quase sempre caem pelo chão.
Será quem será me diga: quem é o culpado
Pela seca e fome que assola esta nação?

Este tempo de aflição a que será comparado
É dor, é gemido, é choro e é desolação.
Será quem será me diga: quem é o culpado
Pela seca e fome que assola esta nação?

É o pecado que nos maltrata
e nos separa de Deus.
E só em Cristo há esperança
de que dias melhores virão.

Confessando e arrependendo
receberemos a salvação


Marcos Sal da Terra
 
 
 
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2 comentários:

  1. Conheci o Luiz Quando menino. Concordo plenamente que a linguagem para o evangelismo nordestino tem que aproveitar os costumes da terra. parabéns ao trabalho de evangelização do nordeste conforme pregação que vi em vídeo de vocês com linguagem muito própria para o povo ao qual se destinava. Abraços,
    Dogival

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