31 de jul de 2008

Suor e Lágrimas

 

Vinte e três de julho passado, o dia nem tinha clareado e um grupo de cinquenta e duas pessoas, membros da primeira Igreja Presbiteriana de Vitória - ES, havia acabado de atravessar três estados, a partir do Espírito Santo, e desembarcava na porta do sertão do Pajeú, na cidade pernambucana de Venturosa.
 
Era uma equipe multiministerial formada por evangelistas, músicos, dentistas, médicos, assitentente social, estilista, pastores, que trazia na bagagem bíblias misturadas com estetoscópios, um vasto instrumental odontológico, medicamentos, alimentos, além de roupas suficientes para uma estadia de quatro dias e para distribuir com aquela comunidade menos favorecida daquela pequena cidade.
 
Traziam também colchonetes e os demais acessórios que amenizariam o desconforto do alojamento improvisado aonde iam se instalar. Para se ter uma ideia, as mulheres do grupo ficaram hospedadas numa mesma casa, que não dispunha de conforto e espaço suficientes. Vinte e sete colchonetes foram espalhados pelo chão. Que aperto!!!
 
Naquele momento cumpria-se a primeira etapa de uma viagem planejada por exatos onze meses. Tempo decorrido desde a última conferência missionária que eles haviam organizado até aquela madrugada. Durante a conferência, Deus falara aos corações daquelas pessoas, bem como aos corações de tantos outros que ficaram em Vitória, sobre a necessidade da construção de um templo no sertão nordestino e sobre a importância da vinda de cada um deles, para se doarem, estendendo a mão aos menos favorecidos e, sobretudo, da necessidade de anunciarem o Evangelho de Cristo aos sertanejos.
 
Para muitos deles, que se quer conheciam o nordeste litorâneo (aquele dos cartões postais), o sertão era novidade. Bem como servir daquela forma também era novidade para maioria. E por certo muitos, durante as trinta e uma horas de viagem que enfrentaram, pensaram: O que é que eu estou fazendo aqui? De forma que a dúvida pelejou com a fé e a fuga com a obediência, assim como a dor luta com o prazer e a luz com as trevas. Mas, por obra e graça divinas, triunfaram a fé e a obediência. Eles haviam chegado ao sertão!
 
E mal chegaram, arregaçaram as mangas, esquecendo do sono e do enfado da longa viagem, debruçaram-se com bravura, para o início de três exaustivos dias que se sucederiam dali por diante. Longe de casa, da clínica, da escola, da igreja, do escritório, do ateliê, do consultório, focaram-se no esquecido povo sertanejo, que muito pouco tinha o que lhes oferecer. E serviram este povo com todo o empenho, fazendo o bem sem acepção, exercendo o ser cristão de fato, miniaturas de Cristo, réplicas do amor de Deus.
 
O Projeto Venturosa (como foi denominado o evento) foi transcorrendo e em cada gesto, em cada ato e a cada instante, a fé foi dissipando a dúvida e Deus foi confirmando todo o Seu propósito. De forma que os momentos de hesitação foram se transformando em exultação e glorificação ao Seu nome. À medida que os testemunhos se sucediam, à medida que limitações eram ultrapassadas, ficava mais patente que aquele era o lugar e o tempo certo para cada um daqueles obedientes servos do Altíssimo.
 
No sábado à noite, último culto e inauguração do templo, veio o coroamento, o ápice de tudo o que foi vivido naqueles onze meses: A Palavra foi pregada com unção e autoridade; foram feitas várias orações de gratidão; No final, muito quebrantamento que resultou em salvação, sorrisos, abraços e palavras afetuosas entre os presentes. E dessa forma foi selada mais uma linda página da história da igreja no sertão nordestino, escrita com suor e lágrimas.
 
O que ocorreu no céu? Nós não sabemos ao certo, assim como os desdobramentos que virão ainda não podemos saber. Porém temos a certeza de que o nosso bondoso e fiel Senhor confirmou sua Palavra que diz: "Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes". (Sl. 126.6).


Marcos Sal da Terra



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